Sonho
Por Declev Dib-Ferreira em 01/10/2008Percebi que tudo o que estou vivendo é um sonho.
Resolvi dormir, que é minha forma de acordar.
Unindo minha cara de pau com serviço cultural
Percebi que tudo o que estou vivendo é um sonho.
Resolvi dormir, que é minha forma de acordar.
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Os meus grandes defeitos
Que antes não os tinha
É não ter defeitos
E esta modéstia minha
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Um dia me perguntaram
Qual era o meu defeito
Disse que se enganaram
Porque eu era perfeito…
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De feito nobre
Meus pais em seu leito
Capricharam nos “conformes”
E me fizeram sem defeito
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Ele não gosta de enterros. Fica nervoso, sua, não sabe o que dizer à família, sempre dá vexame. Por isso ficou quase transparente quando soube da morte do primo. Menos porque era primo, pois estavam meio afastados, muito tempo sem se ver, do que pela perspectiva do enterro. “Tem que ir, família é família!” sentenciou a mãe, e completou: “e lembro muito bem de quando vocês eram crianças e ele veio ao enterro do seu cachorrinho de estimação”. É, tinha que ir, não queria ser injusto.
Para não começar errado, foi de terno negro, bem alinhado.
Lá chegando estavam todos de roupa informal, coloridas, alguns até de bermuda e camiseta. O coração bateu forte. Foi falar com outro primo. “Ele pediu à mãe, quando moribundo, que não queria enterro com cara de enterro, que as pessoas viessem com roupas coloridas, não te avisaram?”.
Não avisaram. Até o destino prega peças para ele em enterros.
Foi falar com sua tia, a mãe do morto. “Meus parabéns!”, ele disse. Nunca sabe o que dizer nessas horas. Confundiu as frases, essas frases decoradas que usamos nos mais diversos eventos: “Parabéns, você merece!”, “Muitos anos de vida!”, “Tudo de bom!”, “Espero que sejam muitos felizes!”, essas coisas. Sua tia parou de chorar e olhou para ele, assim como quem estava por perto e ouviu.
Saiu de fininho; se tentar consertar, piora.
Durante o velório estavam todos sérios, consternados, muitos chorando, se agarrando ao caixão e ele, nervoso, pensando no que mais poderia acontecer, não conseguiu controlar, começou a rir de nervoso (acontece com algumas pessoas, com ele, em enterros). Não estava conseguindo nem disfarçar, começou a ficar vermelho, colocou a mão na boca, tentava se controlar quando um de seus primos o abraçou chorando e disse: “não chore primo, todos vamos sentir falta…”. Aí ele não agüentou, soltou uma gargalhada – riso nervoso, eu já disse – que ninguém entendeu. Pararam de conversar os que estavam conversando, de chorar os que estavam chorando, de andar os que estavam andando, todos olharam para ele ao mesmo tempo.
Sentindo-se o alvo das atenções, fingiu um desmaio.
Só assim conseguiu parar de rir. Murmúrios, cochichos, até risinhos ele ouviu, mas ficou ali no chão, estático. Vieram socorrê-lo, deram tapinhas no rosto, trouxeram água. Fingiu acordar: “o quê?… que houve?…”. O colocaram na cadeira. Fingiu melhorar, mas por pelo menos quinze minutos, todos ali se esqueceram do morto. Depois da cena disse estar passando mal e foi embora. Nem viu o enterro.
Estava ficando cada vez mais nervoso com velórios e enterros.
No dia seguinte sua mãe ligou chorando, dizendo: “filho… minha irmã que estava na Europa há três anos…”. Ele teve um ataque cardíaco.
Morreu sem ouvir a mãe terminar a frase: “…vai chegar amanhã para nos visitar!… filho?…FILHO???…”.
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Felizes são os atores
Que podem tirar de si
De dentro
Do fundo
Tudo o que lhes oprime
Podem ser o mundo
Chorar as dores de seu peito
E dizer que é de outro
Cuspir sua raiva
E dizer que é de outro
Podem ser tantos, tantos e tantos
Sem serem tachados
De loucos
Podem ser loucos
E nunca o serão.
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Quando tu comigo brigas Que dor Meu coração abriga Quando tu de meu amor desconfias Que angústia Meu peito desfia Quando tu de mim se inseguras Que maldade... Me enche de agruras
Tomo café da manhã De solidão Almoço nada Lancho angústia Janto uma saudade danada Vou dormir saciado de sofrimento E acordo para, mais um dia, Me alimentar de tormento
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