Textos para a Categoria ‘Mensagens’
Por Declev Dib-Ferreira em 01/12/2007
Sou homem
hetero
branco
classe média
com estudos
sem deficiência física nem mental
talvez não feio
magro
Um verme!
Não sou digno nem de sofrer preconceitos!
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Por Declev Dib-Ferreira em 22/11/2007
Quarenta e sete alunos. Não sei se você tem idéia do que pode ser este número dentro de uma única sala de aula.Escola pública. Também não sei se você tem idéia do que pode acontecer se unirmos o item anterior a este.Falta de livros. Agora tente imaginar a junção deste novo probleminha àqueles de que já falamos.
Falta de carteiras. Una mais este ingrediente à receita que estamos ditando.
Escola sem segurança, onde pessoas pulam os muros para fazerem bagunça lá dentro. Adicione mais este fator e misture tudo.
Professores mal remunerados. Este ingrediente é como a cebola, me faz chorar.
Fica faltando o tempero, mas pode ser a gosto. Ponha tudo na panela do Município ou do Estado, como desejar, e misture com uma cara-de-pau, ôps!, desculpem, com uma colher-de-pau e deixe em fogo brando por anos e anos e anos. Vá mexendo devagar e veja o que acontece.
O resultado esperado é sempre o mesmo; se você não conseguir, saindo algo diferente, faça de novo. Com essa receita esperamos obter desemprego, pessoas mal capacitadas para o trabalho, violência, corruptos no governo, povo elegendo corruptos no governo por anos a fio, ignorância, miséria e outras coisinhas mais.
Não falha nunca.
Nós já conseguimos… com a habilidade de um “chef” francês.
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Por Declev Dib-Ferreira em 10/11/2007
Será só ilusão ou
Há mesmo a renovação?
Quando o ano se acaba
As pessoas enterram seus problemas:
“Agora tudo vai ser diferente,
Este ano vou mudar minha vida”
O tempo passa; e não pára!
A vida é a mesma
A hora de mudar é agora!
Não precisa esperar um ano novo
Comece já!
“Ano que vem serei diferente”
Comece já!
Não interessa o ano o mês o dia
A vida é a mesma
O tempo está passando
A terra está girando
Os anos estão indo e vindo
Mas a vida é a mesma
Não é uma virada de ano
Que vai mudar sua vida
Mas uma mudança de atitude!
Seja mais bondoso
mais honesto
amigo
caridoso
Seja mais humano…
Mas comece já!
Não espere o fim do ano.
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Por Declev Dib-Ferreira em 10/11/2007
Não!
Não tenho um isqueiro,
Tenho uma caneta!
Eu não fumo,
Eu escrevo…
Eu não trago,
Eu escarro letras e palavras e frases e textos
Eu não apago a guimba,
Eu acendo a chama que queimará tua alma
Eu não tenho isqueiro
Porque eu não fumo
A arma que eu tenho
Pra matar a minha angústia,
É a minha poesia!
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Por Declev Dib-Ferreira em 10/11/2007
Te desejo muita paz e felicidade…
Como se felicidade
Coubesse em uma caixinha,
Como se paz pudéssemos comprar.
Quem dera fosse tão simples
Como se pudéssemos dar de presente
Embalado em papel colorido;
Faríamos felizes quem quiséssemos…
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Por Declev Dib-Ferreira em 03/11/2007
- Ei cara, tô com medo!
- O que é isso amigo? Não precisa ter medo!
- Sei lá… essa rua tá tão deserta…
- Não tem perigo não, sempre tem polícia passando por aqui.
- Hiiiii…
- Tá devendo é?!?
- Eu não! Tô limpo, nunca roubei, nunca trafiquei, não sou colarinho branco, tenho casa, família e trabalho e ainda freqüento a igreja!
- Eu sei, eu sei, eu te conheço… e você sabe que também sou assim, por isso não devemos ter medo. Vamos?
E eles foram por aquela rua escura e deserta, temendo topar com algum assaltante ou animal do gênero.
- Olha lá! Eu não disse?! Vêm vindo dois policiais; não disse que era seguro?
- EI, VOCÊS AÍ; QUIETOS!!!
- …
“Encontrados dois corpos ontem de madrugada cobertos de balas. A polícia desconfia de tentativa de assalto ou guerra de traficantes ou queima de arquivo ou balas perdidas ou suicídio…”
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Na mesma linha:
a) http://www.versoeprosa.com/2007/09/23/capitao-nascimento-para-governador/
b) http://parededebanheiro.blogspot.com/2007/08/eu-e-polcia.html
c)http://mrrogens.blogspot.com/2007/09/ato-pblico-contra-violncia-e-impunidade.html
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Por Declev Dib-Ferreira em 03/11/2007
Estava deitado na beirada da piscina, de braços abertos. Olhava o céu azul com um sentimento misto de admiração pela beleza, e curiosidade e espanto pelos mistérios. Era final de tarde e o sol já estava por sumir no horizonte e o tempo estava bem fresco. A minha posição sugeria que eu queria abraçar aquele azul. Era um gesto inconsciente, mas que expressava o que eu estava sentindo naquele momento.
O sol se pôs e o céu aos poucos escureceu. Havia apenas algumas nuvens esparsas, algumas mais ao horizonte, reluzindo ainda a luz do sol, me saudando com um magnífico espetáculo de cores.
Uma previsível sonolência começou a tomar conta de meu corpo. Meus olhos foram ficando mais pesados e cada vez mais difícil mantê-los abertos. Fui sentindo meu corpo cada vez mais leve, uma leveza gostosa, incontrolável. Eu senti que flutuava; uma ponta de medo que surgiu foi logo dissolvida pela sensação indescritível de liberdade que sentia. Não estava entendendo, mas estava gostando. Me virei lentamente e, ao olhar para baixo, levei um susto, mas estava tudo explicado. Eu vi o meu corpo a cerca de meio metro de mim mesmo, deitado na mesma posição que estava anteriormente. Na verdade eu não estava flutuando, mas o meu espírito havia se separado de meu corpo e eu estava consciente. Me vi subindo, subindo. Percebi que meus dois “eus” continuavam ligados por um brilhante “cordão umbilical”, de umbigo a umbigo.
Continuei a subir devagar, vendo o meu corpo imóvel cada vez mais longe, a piscina ao meu lado cada vez menor, refletindo a luz das estrelas e da lua em sua superfície agora escura. À medida que subia conseguia observar mais coisas ao redor de onde estava deitado. Vi as casas da vizinhança, as árvores, as ruas, as pessoas, inclusive dois amigos, que, certamente não me viram. Vi as luzes das ruas e das casas ficarem cada vez mais fracas, mais fracas, até adquirirem aparência de vaga-lumes. Continuei subindo.
Passaram por mim dois pássaros, voando lado a lado. Creio que perceberam minha presença, pois senti que se afastaram, um pouco assustados. Eu já estava à altura das nuvens. Parecia que podia sentir as gotículas de água tocando em mim, de tão sensível que estava.
Passou um avião, um pouco longe, mas o suficiente para ver alguns detalhes, como as janelinhas com as luzes acesas lá dentro, e uma aeromoça com seu uniforme azul e rabo de cavalo preso por uma fita vermelha. Creio que minha visão se aguçou um pouco. Com certeza os passageiros não notaram minha presença.
Já estava a uma altura que notava a circunferência da terra. Podia ver perfeitamente o horizonte bem delineado e recurvado. Neste instante foi que me surpreendi com o nosso planeta. É um astro flutuando no espaço. Não tem começo, meio ou fim. Não tem em cima ou embaixo. Não tem norte ou sul. Após a visão que tive, privilegiada por sinal, percebi que se viramos os globos terrestres ou os mapas que temos utilizado como padrão mundial, ainda assim continuará correto, pois a terra, vista lá de cima, é única, é linda, é perfeita. Não existe um sistema no universo que indicava se eu a estava olhando de cabeça para baixo ou não. Não existe em cima ou embaixo para o universo, ele simplesmente existe, ele simplesmente é. Lá de cima perdi a noção dos pontos cardeais.
Comecei a girar meu corpo lentamente, vendo a terra primeiramente na posição tradicional, como a conhecemos nos globos. Depois de lado, depois de cabeça para baixo e descobri que é a mesma coisa, não há parâmetros. A terra simplesmente está ali, flutuando. Ela que nos dá sustento, nos dá chão, firmeza, ela mesma não tem o seu sustento. Descobri que o sustento da terra somos nós mesmos. Nós que a equilibramos, pisando aqui e ali, fazendo coisas boas deste lado do mundo e naquele outro também, sem distinção de norte ou sul, leste ou oeste.
A vida estava continuando lá embaixo, eu sabia, mas não me importava. Tentava apenas compreender o universo, e forçava a vista ao longe, tentando achar um fim, uma explicação, mas em vão. O mistério do universo é muito maior do que nós mesmos. É muito maior do que a terra e não nos cabe tentar decifrá-lo. Essa minha “viagem” valeu, pois pude aprender um pouco sobre o planeta que nos dá a vida. Pude compreender que ele somos nós mesmos, que dele fazemos parte; e que podemos ser nele o câncer que destruirá sua vida, ou a proteína que irá construí-la, dependendo de nossos atos.
Após esta conclusão eu abri os olhos, e estava novamente em meu corpo físico.
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Dindin:
a) Quer aprender mais sobre viagem astral? Procure livros e compare seus preços, com o buscaPé.
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Na mesma linha:
a) http://blog.controversia.com.br/2007/07/28/uma-terra-sem-humanos/
b) http://lauravive.blogspot.com/2007/04/o-dia-da-terra.html
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Por Declev Dib-Ferreira em 01/11/2007
- Pois é, rapaz… eu lembro bem da minha infância…
- E eu gostaria de não lembrar.
- Lembro-me dos carinhos da minha mãe, das cantigas em seu colo…
- E eu das surras que ela me dava, dos palavrões que gritava.
- Lembro-me de meu pai chegando do trabalho, sempre cheio de presentes, distribuindo beijos em todo mundo…
- E eu do meu pai chegando do bar, sujo e bêbado, distribuindo porrada na gente.
- Lembro-me da comida da minha mãe – ainda sinto o aroma – das nossas fartas e grandes ceias aos domingos…
- E eu de como sentia fome – ainda sinto a dor.
- Lembro-me da escolinha que frequentava, dos primeiros amiguinhos…
- E eu de vender doces nos sinais, e das primeiras brigas pra me defender dos mais velhos.
- Lembro-me dos meus brinquedos – tinha um quarto enorme cheio deles…
- E eu de dois ou três – velhos e quebrados, que achei no lixo.
- Lembro-me de como era boa a vida de criança – que saudade! – sem preocupações, obrigações…
- E eu só me lembro das preocupações, das obrigações.
- Lembro-me de como era feliz!
- E eu de como invejava as outras crianças.
Final 1:
- Pois então seu doutor, sinto muito, eu já tô indo… não posso mais ficar aqui de conversa mole não, tenho que lavar outros carros.
Final 2:
- Pois é, doutor! Já falamos demais! Vai passando aí o relógio e a carteira que ainda tenho muito serviço pra fazer!
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Por Declev Dib-Ferreira em 30/10/2007
Ele não tem tempo para nada, é um empresário, muito ocupado em ganhar milhões, acorda às 5:30 da manhã, toma um banho rápido, fuma um cigarro, bebe uma xícara de café, fuma outro cigarro já saindo para o trabalho, vai de helicóptero para não ficar preso em engarrafamentos, tem a agenda lotada e três secretárias para tomarem conta de seu precioso dia, mesa cheia, muitos relatórios a ler, outros a fazer, reuniões, reuniões, reuniões, almoça sempre com pessoas com assuntos pendentes - assim resolve problemas ao mesmo tempo que come -, no jantar faz o mesmo, depois ainda resolve mais algumas coisas nos escritórios das filiais e vai para casa dormir: 1 hora da manhã, a mulher já está deitada, o filho também, nos fins de semana, quando o encontra, seu garoto o chama para algum lugar onde gostaria de ir com o pai e sempre ouve as mesmas respostas: “hoje não dá”, “Neste fim de semana não, no outro prometo te levar”, “Puxa, tenho uma viagem de negócios marcada…” , a esposa quase não o vê, nem sei quantas vezes fazem amor por mês – é um assunto meio íntimo, sabe? – mas garanto serem poucas, a mãe ligava toda semana cobrando o almoço prometido e não cumprido, desistiu depois que ele passou a não atendê-la, pedindo para as secretárias darem desculpas como: “está em reunião”, “avisou que liga mais tarde”, “pediu para deixar recado”, certo dia sentiu uma pontada no peito, a dor foi ficando mais forte, sentiu uma dormência no braço, chamou a secretária, e esta o pronto-socorro: infarto, internação, exames… “mas não posso ficar!”, “daqui você não sai!”, disse o médico, assim que souberam foram para o hospital esposa, filho, mãe, todos desesperados, querendo saber notícias, está fora de perigo, mas deve ficar internado para observação e para fazer outros exames, levará tempo, “tempo? não tenho!” … mas teve que ter…
Na primeira semana de hospital ele descobriu o que é isso… Viu televisão… Namorou a esposa (namoro “leve”, beijinhos, abraços)… Conversou com a mãe… Reviu irmãos e diversos amigos… Até conheceu melhor o filho… Jogaram damas… Ajudou-o a fazer os deveres de casa… As visitas iam diariamente… Mais pela saudade de vê-lo do que pela doença… Ele gostou… Isso que era ter tempo?… É Bom!… Leu vários livros… Pensou na vida e em si mesmo…
Dez dias depois obteve alta… Não foi nada sério… não precisava de operações… os medicamentos surtiram efeito, graças a Deus, disseram… “Vê se tem uma vida mais saudável…”, alertou o médico… “Vou tentar…”, respondeu….
Ao chegar em casa uma de suas secretárias ligou: “Está tudo atrasado por aqui sr., uma bagunça!”, ele foi para o escritório e não parou mais até o próximo infarto.
Fatal…
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Por Declev Dib-Ferreira em 24/10/2007
Você diz que no Brasil só tem político safado,
Mas por um bom punhado de dólares
Gostaria de ser subornado.
Você diz que no Brasil só tem ladrão,
Mas será que nunca roubou um “doce”
Ou deixou de pagar algo - ”deu balão”?
Você diz que a violência não tem fim,
Que não se pode nem sair às ruas,
Então fica em casa, certo?
Mas briga com pais, filhos, irmãos
Ou quem estiver por perto.
A guerra pra você não faz sentido,
Mas não dá nos dedos
Os que considera inimigos.
Que tristeza a destruição da natureza!
Mas você nunca plantou uma árvore
No seu quintal só tem cimento
Veja se tem cabimento!
A fome é desleal e uma tristeza,
Mas você não dá nem esmola
E já prestou atenção em sua mesa?
Ah, pára de criticar!
O Brasil tem jeito
E se você quiser não vai parar!
Ele é a nossa cara e o nosso retrato
Se quiser vê-lo mudado
Terá que em si mesmo
Dar um bom trato.
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