Textos para a Categoria ‘Ambientais’

São Francisco

Por Declev Dib-Ferreira em 10/11/2007

Essa foi feita numa viagem pra Goiás, quando passamos pela Serra da Canastra, em Minas - ambiente de cerrado - e bebemos água da nascente do São Francisco. Em homengem à Edu e Carol:

Árvore retorcida
Pela dor do fogo
Não se deixa abater
Nasce de novo
     No chão carvão
     Da última queimada
     Brotam folhas
     Verdes de esperança
Cobrindo o chão
Barro cor de brasa
Tons de verdes matos
Ao vento, uma dança
     Pingos de cores
     Enfeitam a visão
     De flores e amores
     Como um céu no chão
E a água do São Francisco
Límpida e gelada
Lava nossa alma
Onde já não dói mais nada

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    Chuva

    Por Declev Dib-Ferreira em 26/10/2007

    Chuva que cai em gotas
    Que se unem em um mesmo destino
    Se infiltram na terra formando nascentes
    Que descem os rios
    Cortando cidades, levando navios
    Crescendo ao mar no imenso vazio
    Esquenta-se até subir ao céu como vapor invisível
    Se une novamente como nuvens
    Até que ressuscita em água da chuva
    Que cai em gotas
    Que se unem em um mesmo destino
    Se infiltram na terra
    E são sugadas por uma raiz sedenta
    Se transformando no corpo de uma planta
    Que transpira lançando-a ao espaço
    Lá onde se unem formando as nuvens
    Que ressuscita à terra em água da chuva
    Caindo em gotas
    Que se unem em um mesmo destino
    De serem engolidas por um animal
    Que sua e evapora esse suor
    Que vai ao céu
    Onde se une formando as nuvens
    Que ressuscita à terra em água da chuva
    Caindo em gotas
    Que se unem em um mesmo destino

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    A chuva

    Por Declev Dib-Ferreira em 26/10/2007

    Lá vem a chuva que leva
    Tudo de ruim que há nessa terra
    Lava, chuva, e leva
    Tudo de ruim que há nessa terra
    Leva a tristeza embora
    Leva a mágoa, a destruição
    Leva a incerteza, o pessimismo
    Lave nossa alma, a alma do mundo
    Dê um banho na terra
    Nesse chão imundo
    Cheio de poeira, pó de gente
    De asfalto, de cuspe, cocô de cachorro
    Lave a terra e leve todo o egoísmo dos homens
    Faça com que eles enxerguem
    Que a água nos é dada de graça
    Retire esta nódoa de homens
    De cima de nossa terra
    Leve tudo para o rio
    Que leva tudo para o mar
    Onde tudo vai se transformar em coisas mais bonitas,
    Como as estrelas.
    Dê um banho nas árvores
    Nos bichos
    Na terra da floresta
    Cheia de folhas
    Cheia de vida
    Mas uma vida saudável, bonita
    De natureza pura e bela
    Lave todos os animais e plantas
    E retire deles toda a pureza que possas
    Para que esta água tão carregada
    De coisas boas Siga para o rio,
    Que vai seguir para o mar,
    Onde vai evaporar
    E com toda essa energia
    Vai desaguar em cima dos homens novamente
    Lavando suas almas sujas A
    ssim como as suas cidades,
    Retirando daqui tudo o que tem de ruim

    Em 19 de março de 1993, as 2:40 da manhã, quando a uns 10 min. começou a cair uma grande chuva, com muitos trovões, que lavou a minha alma.

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    Mãe Árvore

    Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

    Esta é uma poesia-prosa, mais ou menos grande, mas modéstia à parte, muito bonita.  É uma das que eu mais gosto. Alguns amigues já conhecem, pois… hãm hãm… tirou primeiro lugar num concurso (devia ter só uns dois ou três inscritos…).

    E é também uma homenagem às mulheres, especialmente às mães. Mais uma vez, as mulheres…

    Houve árvores inesquecíveis
    A vida passa, mas elas ficam
    Infelizmente algumas apenas na memória

    Ah, as árvores…

    O que seria de minha infância sem as árvores?
    A caramboleira do quintal da minha avó
    Que caramboleira!
    Grande, mas pequena
    Como uma pequena mulher fofinha
    Seus galhos finos a tornam esbelta quando vista por dentro,
    Onde cabiam todos os meus sonhos
    Lugares cativos meu e de meu irmão nos acolhiam
    Quantas carambolas eu comi
    Agora ela faz parte do meu corpo
    E de minhas lembranças…
    Minha infância já se foi,
    Mas ela está lá

    Teve melhor destino que a goiabeira
    Que no meu quintal deu lugar à piscina
    Mas em minha memória ela ocupa
    Os principais arquivos de tempos idos
    Era minha casa dentro do quintal de minha  casa
    O meu universo quando minhas preocupações
    Eram apenas comer meu lanche longe da mesa e do chão
    Quantas proteínas ela me ofereceu
    Através dos bichinhos dos caroços brancos de seus frutos
    Hoje deito ao sol ao lado da piscina no vazio que ela deixou

    Que saudade…

    Saudade igual à que sinto pela minha “cabeluda”
    Ah, que frutinha gostosa
    Amarela como o sol
    Redonda como as bolas de gude
    Que eu tirava dos “triângulos”  de giz no cimento
    Seus galhos frágeis não me agüentavam
    Mas nada mais eu pedia
    Que suas frutinhas de grandes caroços doces
    Teve o mesmo destino que a goiabeira
    Eram duas irmãs…
    E hoje seu doce vive apenas na lembrança de meu paladar

    Abacateiro que brincava de esconder
    E guardava seus frutos em cima do telhado

    Jameleiro que era artista
    E pintava todo o chão com seu lindo violeta dos frutos

    Todas vivem apenas na lembrança
    Apenas na lembrança…

    Existem outras,
    Como o cajueiro da casa de praia
    Se fazia de difícil,
    Mas subíamos e pescávamos seus frutos nos mais altos galhos
    Este embora vivo também vive na lembrança
    Pois como um parente distante muito pouco o visito

    Que saudade, árvore da frente da minha casa
    Lindas suas flores brancas, suas enormes folhas
    E seus frágeis galhos que se quebravam nos jogando ao chão
    E sua seiva, que pingava como lágrimas de leite

    Leite que brotava como nos seios das mães
    Que vivem apenas na lembrança quente
    De quando as árvores nos pegavam no colo,
    Como mamãe também fazia.

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    Ode à Mãe Natureza

    Por Declev Dib-Ferreira em 16/10/2007

    A vida fica mais bela
    Quando um pássaro canta na janela
    Não há cheiro mais gostoso meu senhor
    Que o perfume delicado de uma flor
    E por acaso há sombra mais gostosa
    Que da copa de uma árvore bem frondosa?
    Que sabor no mundo você mais estima
    Que comer os frutos de uma árvore lá de cima?
    Ah, como é bom deitar com quem se ama
    Em um jardim todo coberto de grama
    Não há água mais gostosa e mais fresquinha
    Que a que desce o rio bem gelada e bem limpinha
    E banho, que mais posso querer então
    Que a chuva, que as nuvens lançam ao chão?
    Qual lâmpada melhor nos ilumina
    Que a luz do sol, em torno do qual a terra gira?
    Não há paisagem mais bonita de se olhar
    Que um céu de estrelas, acompanhando o luar
    Não adianta o homem no papel azul pintar
    Jamais será mais belo que a cor azul do mar
    Não há linha tracejada mais perfeita
    Que a linha do horizonte, onde o céu azul se deita
    E me parece, nas estradas a viajar
    Que as montanhas lá foram postas para enfeitar
    Que expressão lhe traduz maior carinho
    Que o eterno sorriso de um golfinho?
    Você já viu vôo mais bonito
    Que o da gaivota, pairando no infinito?
    Ah, natureza: ar e terra, água e fogo
    Dela nós fazemos parte
    Vida é o que está em jogo!

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