Matei e mato mesmo!
Matei mesmo! E mato qualquer outro que se meta a bonzinho ou revolucionário nesta terra. Eu quero é ver o circo pegar fogo. Não vem querendo mudar as coisas não! Se começar a ficar muito preocupado, achando tudo uma grande injustiça, querendo socializar o mundo eu te pego! Que negócio é esse de acabar com os pobres? De distribuição de comida, de riquezas? Eu te faço como fiz com os outros.
Primeiro foi aquele carpinteiro que quase conseguiu estragar tudo. Tive que insuflar a população contra ele com todas as minhas forças. Bem feito!, ele se danou, morreu pregado naquela cruz que eu mesmo ajudei a fazer. Depois tive que queimar outros tantos. Precisei até inventar um negócio aà de inquisição, de tantos que eram. Fui influente, acendi muitas fogueiras.
Depois que inventei a arma de fogo ficou mais fácil. É só apertar o gatilho e pronto, lá se vai mais um revolucionário revoltado com as discórdias e diferenças que eu crio com tanto gosto e esforço.
Lá na Ãsia aquele indiano esmirrado chegou até a promover a independência da Ãndia, mas foi só, não deixei fazer mais nada. Tive eu mesmo que dar um belo tiro nele, para as coisas voltarem ao normal, do jeito que eu gosto: bastante injustiça, fome, miséria para a maioria da população e riqueza e opulência para os que oprimem.
Com aquele do bigodinho foi diferente. Esse eu deixei viver até o fim da vida, morrer de morte morrida. Ele era dos meus. Fazia o que eu gostava, por isso tive clemência. Matou muita raça inferior, limpou um pouco o mundo.
Não tive o mesmo sentimento com aquele cantorzinho… aquele que vivia falando de paz. Paz! Eu não gosto disso, não mesmo. Ele bem que tentou dizer algo pelas músicas, atitudes; as pessoas quase o ouviram. Tive que calá-lo. Um tirinho só. BAM! Me fingi de fã para chegar perto. Você tinha que ver a cara dele quando atirei. Foi o máximo ver aquele oclinhos redondo se quebrando no chão. Você ia gostar.
E aquele argentino metido à cubano, lembra? Aquele barbudo safado! Socialismo, bah! Besteira! Igualdade? Que revolução é essa? Luta armada?!? Pois meti foi bala no peito dele. Sem dó. Morreu de olhos esbugalhadamente abertos.
No Brasil que teve época boa. Ôôô! Matei muita gente. Fiz muitos aspirarem gás de cano de descarga, levarem choque no saco, pau-de-arara, essas coisas. Eu, hein! Eles queriam acabar com a boa fase. Estava tudo tão repressivo, tão direitinho, tanta gente boa no poder, e eles querendo mudar. Que vontade de mudança besta! Protegi os generais que mataram tanta gente e morreram de velhice e felizes. Matei com maior gosto aquele capitão do exército que desertou. Deixei ele lá cheio de marca.
Um outro que se mostrou interessado em promover a paz em Israel também se foi com bala. Foi bem fácil. Me misturei com o povo que estava vendo-o sair do prédio e BUM! um tiro certeiro e pronto!, lá está o Oriente Médio como deve sempre ficar. Eu promovo tantas guerras à toa?!? Por isso que eu gosto e protejo aquele outro bigodudo; essa de queimar os poços de petróleo foi o máximo!
Lembra daquela princesa? E princesa tem que se preocupar com os outros? Ficar viajando por aà abraçando criancinhas? Essa eu persegui até fazê-la sofrer um acidente. Morreu esmigalhadinha. A realeza agora está limpa.
Para terminar, para você ver que realmente não vale à pena ser revolucionário nem bonzinho, nem querer fazer o bem para os outros, que eu te pego de jeito, te engulo, te mastigo e cuspo, vou falar só desse que fez aquela campanha maldita de distribuição de comida. Cidadania! Não matei com minhas próprias mãos, mas, sendo ele hemofÃlico, fiz transfusão com sangue contaminado com HIV. Também, quem mandou se meter a besta? Para quê ser sociólogo? Para ajudar os outros? Besteira! Se fizer isso te pego, se não, te deixo chegar até aonde quiser. E chega. Acho que já deu pra sentir como sou.
O quê? Quem sou eu? Minha senhora, meu senhor, eu sou o homem. Eu sou você mesmo. Muito prazer!